ORIGEM
Os primeiros alicerces da colonização desta região,
remontam aos princípios do século XVII. Quando era extraordinária
a quantidade de colonizadores pretendendo terra na zona cortada pelo
caminho que ligava o litoral às minas de Goiás. Requeridas
as Sesmarias, localizada à margem da estrada referida, eram
logo concedidas e assim, penetravam léguas e léguas
pelo sertão adentro. A primazia de posse legal de terrenos
no território, que agora constituem as Estâncias de Lindóia
e Águas de Lindóia, coube a Manoel de Castro, portador
da concessão de uma Sesmaria datada de 09 de agosto de 1728,
no ribeirão de Água Quente. A estrada para as minas
de Goiás atravessava aquela zona seguindo pelo espigão
do Morro Pelado, rumo a Mogi Mirim. Esta doação aparece
à página do livro nº 3 de "SESMARIAS ANTIGAS",
arquivado na repartição de estatística do Estado
e está assim concedida: "Antônio da Silva Caldeira
Pimentel do Conselho de sua majestade governador e capitão
general da capitania de São Paulo, minas do Paranapanema do
Cuiabá e Guayanazes, etc. Faça saber aos que esta minha
carta de sesmaria virem que tenho consideração ao que
por sua petição me enviou a dizer Manoel de Castro,
morador nesta praça de Santos, que ele se achava com alguns
escravos, e com eles queria fazer suas lavouras, e roças em
caminho do sertão das novas minas dos Guayanazes em a paragem
do ribeirão chamado água Quente, adiante do rio Cezar
indo povoado, cujas terras por ser desertas se achavam em direito
senhorio, por quanto de sua cultura se seguia grande utilidade para
melhor estabelecimento daquelas minas e pelo acréscimo dos
dízimos, pedindo-me- lhe fizesse mercê conceder em nome
de sua Majestade uma légua de terra em quadra na referida paragem
do ribeirão de Água Quente indo para as ditas Minas
de uma e outra parte do dito ribeirão, ficando-lhe este em
meio fazendo pião onde for sua passagem". A 28 do mesmo
mês e ano foi feita outra doação, ligava à
que mencionamos acima, sendo outorgada ao Sargento Mor Manoel Gonçalves
Aguiar, também residente na cidade de Santos. As primeiras
construções, anteriores às de Manoel de Castro,
foram feitas pelos Bandeirantes, para servirem de pouso nas suas caminhadas
rumo às novas minas do Sertão Guayanazes. A tradição
afirma que a região naqueles tempos, constituía território
de ferocíssima tribo indígena. Vestígios desta
civilização indígena, estão sendo encontrados,
através de escavações como provam diversos instrumentos
feitos em pedra de posse de moradores. SIGNIFICADO
DO NOME
O próprio nome da região, depois tomado pelo município,
foi dado pelos índios e seu significado, segundo o Dr. Joaquim
da Silva Mello é o seguinte: "Lindóia é
corruptela das Palavras tupy Rindoya e Rindheio. No alfabeto tupy
não existia a letra" L "e o" R ", o mesmo
no começo das palavras tem som brando. A substituição"
L"deve ser de influência lusitana. Lindoya ou Rindoya
significa "rio que não extravasa" De "Ri"
(água, ribeirão, rio) "ND" (sem significado)
é uma intercalação, por nasal o som "hi"
e "y" por anteceder um verbo neutro ". Oia "(3ª
pessoa do indicativo do verbo ya", caber não sair de
sua capacidade, conter ". Literalmente: Rindoya", rio
que não sai de sua capacidade ou que se contém ":
Lindóia ou Rindheio significa" água insípida
e quente ao paladar "DE" RI "(Água)"
ND "(insípida)", HIO "(sensação
de quentura na boca).
As duas interpretações são deveras interessantes
e não se pode afirmar qual das duas é mais acertada.
Permaneceu estacionária por muitos anos a região,
até 1820, quando alguns imigrantes portugueses e espanhóis,
oriundos de Atibaia - Bairro da Guardinha, se desentenderam com
o Governador da Capitania de São Paulo, e fugiram, se fixando
às margens do Cezar. Segundo a história contada pelos
antigos, estas famílias eram: Franco, Godoy, Alves, Souza,
Almeida e Domingues.
FRAGMENTOS HISTÓRICOS
Dos documentos antigos constam que Manoel Alves de Almeida, criou
um índio batizado pelo nome de Salvador Domingues de Almeida,
fundando-se latifúndios as margens esquerda do Rio do Cezar,
depois chamado Rio do Peixe, por ser muito piscoso. Construiu aí
algumas residências e plantou suas lavouras. Consta ainda
que Salvador Domingues de Almeida casou-se com Candida e desse casamento
teve muitos filhos, sendo que uma filha por nome de Anaesméria,
casou-se com Joaquim Franco de Godoy, doador das terras para construção
da Igreja de Nossa Senhora das Brotas, que recebeu está homenagem,
por ser esta região riquíssima quantidades de brotas
de água. No início o pequeno povoado recebeu o nome
de brotas do rio do Peixe, conforme documentos datados de 1869 e
1870. Com a construção do ramal férreo da Cia.
Mogiana, de Serra Negra em 1890, a região adquiriu um canal
para escoamento de sua produção agrícola. Em
1895 foi criado o distrito policial de Lindóia subordinado
ao de Serra Negra. No dia 10 de Março de 1898 a Cúria
Metropolitana de São Paulo instalava a Paróquia de
Nossa Senhora das Brotas do Rio do Peixe, cujo o primeiro Pároco
foi o Padre Jacinto Mastrange seguido pelo Padre Henrique Tozzi,
tio do Dr. Tozzi Fundador das Termas de Lindóia, hoje Águas
de Lindóia.
Com a construção de inúmeros prédios
e outros melhoramentos urbanos trouxeram como conseqüência,
a elevação da localidade à categoria de distrito
de paz da Comarca de Serra Negra, por Lei nº. 639 de 29 de
junho de 1899, no Governo do Presidente do Estado Cel. Fernando
Prestes de Albuquerque. No ano seguinte, isto é, em 23/02/1900,
foi instalado o cartório de Registro Civil e Anexo, criado
no dia 29/07/1899, cujo o 1º escrivão foi José
Antonio do Nascimento, o 2º Agenor do Nascimento, o 3º
Francisco Pinto da Cunha Júnior, 4º Sebastião
de Souza Nino, 5º Benjamin de Godoy Bueno de 1924 a 1968. Dinorah
Gomes Godoy e Candida Maria de Jesus, nascida em 20/02/1900. O 1º
Sub-Prefeito do distrito de Lindóia, foi o Cel. Estevam Franco,
tendo ocupado esse cargo os senhores Olegário Domingues de
Godoy, Joaquim Roque de Almeida, Benedito Correia e Silva, cujo
o chefe político era o tenente Coronel José Roque
de Moraes. O cargo de Sub-Delegado foi ocupado, pelos senhores,
Luiz Alves de Godoy Moreira, Olegário Domingues, João
Eliza de Toledo, Antonio Basílio de Almeida, Benedito de
Souza Godoy, Bento Faria e Elisiario Ferreira de Paiva, Jacinto
de Godoy Moreira e Benedito Alves Primo. O Cemitério Municipal
foi inaugurado em 16/01/1899, cujo o primeiro sepultamento foi feito
em 23/01/1899 - pessoa falecida Porfírio - causa morte lombriga.
Após a proclamação da República, os
primeiros eleitores do distrito de Lindóia, que votavam em
Serra Negra, em nº. 209 eleitores. O Partido dominante era
o P.R.P. Vereadores a Câmara de Serra Negra Tenente Coronel
José Roque de Moraes, Joaquim Raimundo de Souza, Olegário
Domingues de Godoy e Farmacêutico Humberto Amaral. Na década
de 1920, o chefe político da Comarca era o Sr. Francisco
Pinto da Cunha, que foi derrotado pela Aliança Liberal de
Getúlio Vargas. Nesse período crescia pelo trabalho
brilhante do Dr. Francisco Tozzi, às Termas de Lindóia,
que fazia parte do Distrito de Lindóia. Com a comercialização
de Água de Lindóia, pelo então Dr. Tozzi, Lindóia
tornou-se conhecida em todo o Brasil e no mundo. Em 1921 teve inicio
a construção da estrada ligando Lindóia, ao
bairro da Água Quente, depois termas de Lindóia.
Em 1921 Lindóia recebeu a visita do Governador Washington
Luís, que veio visitar as obras. Outros melhoramentos sucederam
como as ligações com Serra Negra e Itapira. A construção
da Usina dos Costas foi outra conquista.
O Dr. Tozzi alinhou-se politicamente ao lado do Dr. Firmino Cavenaghi,
que fazia oposição ao Dr. Jovino Silveira, sendo chefe
político do distrito de Lindóia o Farmacêutico
Humberto Amaral. Com o falecimento do Dr. Tozzi sucedeu-lhe seu
genro Dr. Vicente Rizzo, que continuou sua incansável luta.
Através do general Silva Júnior, Macedo Soares, o
então Governador Ademar de Barros, através do Decreto
nº 9731 de 16 de novembro de 1938, cria a Estância Hidromineral
de Lindóia. O 1º prefeito nomeado foi o Dr. Firmino
Cavenaghi, sendo sucedido pelos senhores, José Bento da Silva,
Romildo Torteli, Dr. Eduardo de Barros Martins, Dr. Paulo dos Santos,
Dr. Benedito Alves Pinto de Vasconcelos, Dr. Valter Fachini, Dr.
Humberto Amaral, Cirilo Emílio Mantovani.
EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Em 1953 numa campanha, comandada pelo Deputado Narciso Peroni,
foi transferida a sede de Lindóia para a Thermas de
Lindóia - com a denominação de Estância
Hidromineral de Águas de Lindóia, passando Lindóia
a ser simplesmente Distrito de Paz. Em 1965 pela Lei nº.
8092, Lindóia adquiriu a sua emancipação
Política Administrativa, tendo a frente dessa luta
o Deputado Nagib Chaib e os políticos locais, Lazaro
de Souza Godoi, Agostinho de Souza Godoy, Antonio Toledo,
Benedito Aparecido Dematei, Humberto de Godoy Moreira, Luis
de Godoy Moreira, Romildo Torteli. O 1º Prefeito eleito
foi o Sr. Antonio Toledo, e o Vice foi o Sr. Lazaro de Souza
Godoy e a 1ª Câmara Municipal, foi composta dos
seguintes vereadores: Benedito Aparecido Dematei, Laércio
Londro de Oliveira, Américo Kachan, Geraldo Alves de
Godoy, Benedito Ângelo Gusson, José Alves Neto,
Ezio Coli, Hermínio Peternela e Agostinho de Souza
Godoy, este Presidente da Câmara. Os prefeitos seguintes
foram: Lázaro de Souza Godoy (interino), Agostinho
de Souza Godoy - vice: Benedito Aparecido Dematei, Reinaldo
Romeu Pietrafesa, Américo Kachan, Ivo Tadeu Tortelli
- vice: José Fernando Faria Dematei, Benedicto Angelo
Gusson - vice: Benedito Aparecido Dematei, Luiz Carlos Scarpioni
Zambolim - vice: José Cremasco, Ernesto Tardelli -
vice: Ivo Tadeu Tortelli, Luiz Carlos Scarpioni Zambolim -
vice: Edward Bernardi, Eduardo Marcial Zambolim - Interventor,
Élcio Fiori De Godoy - vice: José Justino Lopes.
Em 1970 no dia 29 de maio pelo decreto 229, foi Lindóia
instituída em Estância Hidromineral, condição
que perdeu ao ser transformada em Turística para obter
autonomia eleitoral, mais graças ao trabalho do Deputado
Manteli Neto, a partir de 9 de maio de 1986, voltou a condição
de Estância Hidromineral, com lei sancionada pelo Governador
Franco Montoro.
|